Cravo (Dianthus caryophyllus): como cultivar, manter florido e evitar problemas no jardim

 

Cravo (Dianthus caryophyllus): cultivo correto, floração prolongada, manejo do solo e controle de pragas para jardins bem cuidados.

O cravo (Dianthus caryophyllus) é uma das flores ornamentais mais tradicionais do mundo, amplamente cultivada em jardins, vasos e também com forte presença na floricultura de corte. Apesar de sua aparência delicada, trata-se de uma planta com exigências bem definidas de cultivo, que responde de forma direta ao manejo correto de solo, luz, nutrição e sanidade.
Quando essas condições são respeitadas, o cravo se mostra uma espécie durável, com floração prolongada e grande valor ornamental.

Este artigo reúne informações técnicas e práticas para quem deseja aprender a cultivar cravos com qualidade, compreender suas necessidades reais e evitar os problemas mais comuns observados no jardim.


Ficha técnica do cravo

Nome popular: Cravo, cravo-de-jardim
Nome científico: Dianthus caryophyllus
Família botânica: Caryophyllaceae
Origem: Região do Mediterrâneo
Ciclo de vida: Perene ou cultivado como bienal, dependendo do manejo
Porte: 30 a 80 cm de altura
Hábito de crescimento: Herbáceo, ereto
Flores: Isoladas ou em pequenos grupos, com pétalas recortadas
Cores das flores: Branco, rosa, vermelho, lilás, salmão, amarelo e variações bicolores
Perfume: Presente em muitas cultivares
Uso ornamental: Jardins, vasos, bordaduras e flor de corte
Época de floração: Predominantemente primavera e verão, podendo se estender conforme o manejo
Toxicidade: Não considerada tóxica para humanos; pode causar leve desconforto gastrointestinal em pets se ingerida em excesso


Taxonomia e características botânicas

O gênero Dianthus reúne mais de 300 espécies distribuídas principalmente pela Europa e Ásia. O Dianthus caryophyllus destaca-se por ser a espécie que deu origem à maioria dos cravos ornamentais cultivados atualmente.

A planta apresenta caules firmes, de coloração verde, folhas lineares e opostas, com textura levemente cerosa. As flores são o principal atrativo, com pétalas recortadas nas bordas e grande diversidade de cores e formatos, variando conforme a cultivar.

O sistema radicular é fasciculado, relativamente superficial, o que explica a sensibilidade da planta ao encharcamento e à compactação do solo.


Importância ornamental e usos do cravo

Além do cultivo doméstico, o cravo possui grande relevância econômica como flor de corte, sendo valorizado pela boa durabilidade pós-colheita quando bem manejado. Em jardins, é amplamente utilizado em canteiros ensolarados, bordaduras e vasos, compondo maciços floridos com visual clássico.

Culturalmente, o cravo carrega simbolismos variados, associados a afeto, respeito e celebrações, o que contribui para sua permanência ao longo do tempo como uma flor muito apreciada.


Condições ideais de cultivo do cravo

Luminosidade

O cravo necessita de alta incidência de luz solar direta para crescer de forma equilibrada e florescer adequadamente. O ideal é que receba pelo menos 5 a 6 horas diárias de sol pleno.

Em locais com sombra excessiva, a planta tende a apresentar:

  • Alongamento exagerado dos caules

  • Redução no número de flores

  • Maior suscetibilidade a doenças fúngicas

Clima e temperatura

O Dianthus caryophyllus prefere climas amenos, com temperaturas entre 15 °C e 25 °C. Embora tolere calor moderado, temperaturas muito elevadas reduzem a qualidade da floração.

Em regiões de verão intenso, o cultivo deve priorizar:

  • Boa ventilação

  • Irrigação equilibrada

  • Sol da manhã, evitando calor extremo da tarde

Solo adequado

O solo é um dos fatores mais determinantes para o sucesso no cultivo do cravo. A planta exige substrato:

  • Bem drenado

  • Leve

  • Rico em matéria orgânica

  • Com pH levemente alcalino a neutro (entre 6,5 e 7,5)

Solos argilosos e compactados favorecem o apodrecimento das raízes e o surgimento de doenças.

Uma mistura adequada para vasos pode conter:

  • Terra vegetal bem estruturada

  • Areia grossa ou perlita para drenagem

  • Composto orgânico ou húmus de minhoca


Plantio do cravo

Plantio por mudas

O método mais utilizado é o plantio por mudas, adquiridas em viveiros ou produzidas por estaquia. O transplante deve ser feito com cuidado para não danificar as raízes.

O espaçamento recomendado em canteiros é de 25 a 30 cm entre plantas, garantindo boa circulação de ar.

Plantio por sementes

Embora possível, o plantio por sementes é mais demorado e apresenta maior variabilidade entre plantas. As sementes devem ser semeadas superficialmente, mantendo o substrato levemente úmido até a germinação.

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Rega e manejo da água

O cravo não tolera excesso de água. As regas devem ser:

  • Regulares

  • Moderadas

  • Direcionadas ao solo, evitando molhar folhas e flores

O solo deve secar levemente entre uma rega e outra. Em vasos, é fundamental que haja furos de drenagem eficientes.


Nutrição e adubação do cravo

O cravo responde muito bem a um manejo nutricional equilibrado, refletindo diretamente na intensidade da floração e na resistência da planta.

Nutrientes mais exigidos

  • Nitrogênio (N): crescimento vegetativo equilibrado

  • Fósforo (P): formação de raízes e flores

  • Potássio (K): resistência, floração e durabilidade das flores

Adubação recomendada

  • Fase vegetativa: NPK 10-10-10 ou 12-12-12, a cada 20 a 30 dias

  • Pré-floração e floração: NPK 4-14-8 ou 6-12-10, favorecendo flores mais firmes e duráveis

Alternativas orgânicas

  • Húmus de minhoca

  • Farinha de ossos

  • Torta de mamona (uso moderado)

A adubação orgânica pode ser intercalada com a mineral, sem exclusão entre elas.


Poda e manutenção da floração

A poda é essencial para manter o cravo florido por mais tempo. Deve-se:

  • Remover flores murchas regularmente

  • Cortar hastes após o florescimento para estimular novas brotações

  • Eliminar ramos fracos ou doentes

Essa prática melhora a circulação de ar e reduz a incidência de pragas e doenças.


Manejo específico do cravo ao longo do ciclo

Esta é uma seção exclusiva para esta cultura, focada nos ajustes finos que fazem diferença no cultivo do cravo:

  • Evitar adubação nitrogenada excessiva, que favorece folhas em detrimento das flores

  • Manter o pH do solo levemente alcalino, corrigindo com pequenas quantidades de calcário dolomítico quando necessário

  • Garantir boa ventilação entre plantas, especialmente em ambientes úmidos

  • Realizar tutoramento leve em cultivares mais altas para evitar quebra dos caules


Pragas mais comuns no cravo

Pulgões (Aphis spp.)

Insetos sugadores que deformam brotos e transmitem viroses.

Controle caseiro:

  • Pulverização com solução de água e sabão neutro

  • Óleo de neem aplicado semanalmente

Tripes (Frankliniella occidentalis)

Causam manchas prateadas nas folhas e danos às flores.

Controle:

  • Armadilhas adesivas

  • Extrato de alho ou neem

Ácaros (Tetranychus urticae)

Provocam pontuações amareladas e aspecto ressecado.

Prevenção:

  • Aumentar a umidade do ambiente

  • Pulverizações com calda de sabão potássico


Doenças que afetam o cravo

Ferrugem (Uromyces dianthi)

Caracteriza-se por pústulas alaranjadas nas folhas.

Controle:

  • Remoção de folhas afetadas

  • Evitar molhamento foliar

  • Uso preventivo de calda bordalesa

Podridão radicular (Rhizoctonia e Pythium)

Relacionada ao excesso de umidade no solo.

Prevenção:

  • Solo bem drenado

  • Rega controlada

Mancha foliar (Alternaria spp.)

Causa manchas escuras e queda precoce das folhas.

Controle:

  • Boa ventilação

  • Pulverização com caldas naturais à base de cobre


Colheita e pós-colheita

No cultivo para flor de corte, a colheita deve ocorrer quando o botão estiver parcialmente aberto.
O tempo médio até a primeira floração é de 90 a 120 dias, podendo variar conforme cultivar, clima e manejo.

Após o corte:

  • Manter as hastes em água limpa

  • Trocar a água regularmente

  • Evitar exposição direta ao sol


Curiosidades sobre o cravo

  • O nome Dianthus significa “flor dos deuses”

  • O cravo é símbolo tradicional em diversas culturas europeias

  • Algumas cultivares são selecionadas exclusivamente para perfume


Perguntas e respostas sobre o cravo

Cravo pode ser cultivado em vaso?
Sim, desde que o vaso tenha boa drenagem e receba sol direto.

Por que meu cravo cresce mas não floresce?
Geralmente está relacionado à falta de sol ou excesso de nitrogênio.

Cravo precisa de poda?
Sim, a remoção de flores secas estimula novas florações.

Qual a melhor época para plantar cravo?
Primavera e início do outono são os períodos mais indicados.

Cravo tolera frio intenso?
Tolera frio leve, mas geadas podem comprometer a planta.

Conclusão

O cravo (Dianthus caryophyllus) é uma planta ornamental que recompensa diretamente o cuidado atento e o manejo correto. Embora seja amplamente conhecido e cultivado, seu bom desempenho no jardim não ocorre por acaso. Solo bem drenado, alta luminosidade, adubação equilibrada e controle rigoroso de umidade são fatores determinantes para manter plantas saudáveis e com floração consistente.

Ao longo do cultivo, pequenos ajustes fazem grande diferença: a remoção regular de flores senescentes, o controle preventivo de pragas sugadoras e a atenção às doenças fúngicas evitam perdas e prolongam o ciclo ornamental. Da mesma forma, compreender as exigências nutricionais da planta, alternando adubações minerais bem formuladas com fontes orgânicas, contribui para flores mais firmes, duráveis e visualmente uniformes.

Quando bem conduzido, o cravo se mostra uma espécie versátil, adequada tanto para canteiros quanto para vasos, capaz de se adaptar a diferentes regiões, desde que respeitadas suas necessidades básicas. Mais do que uma flor tradicional, trata-se de uma planta que responde positivamente ao conhecimento técnico aplicado na prática, tornando-se uma excelente escolha para quem busca aprendizado, qualidade estética e resultados consistentes no jardim.


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